sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Mostra de fotos da Expê em Minas BH - dia 16 de dezembro

Oi Turma, quem estiver em BH tá convidado pra mostra de fotos da Expedição Ama Dablam 2010, que acontecerá abrindo a festa de lançamento do calendário de mulheres escaladoras 2011 !
16 de Dezembro 20h no Sete Cumes - Rua Alagoas 1172 bairro Savassi.
Buenas olas
ToNTo

ps: vamos divulgar aqui no blog sempre que tivermos uma mostra pública de fotos da expê.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Fotos Panoramicas

Aqui no Blog fica meio apertado para ver as fotos panorâmicas (feitas juntando uma série de fotos).

Clips de Video: entre o Campo 1 e o Campo 2

Turma, seguem 2 videos curtos, mas bem interessantes pra sentir melhor o clima da escalada.
O primeiro é um 360º, uma panorâmica, feita lá no Campo 2 a 6000m.
O segundo video é em algum lugar entre o Campo 2 e o Campo 1. Eu estava descendo, e cruzei com um Sherpa subindo, assim eu tive que parar para a "ultrapassagem" e aproveitei a parada e filmei um pouquinho. Dá para ver bem a rota, o tipo das ancoragens, e infelizmente algum lixo abandonado também.
Buenas!

OBS: Se você clicar no video para assistir diretamente no YouTube você conseguirá ver ele em tamanho maior!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Mais detalhes sobre a rota da aresta Sudeste

Mais detalhes sobre a rota da aresta Sudeste.
Acompanhe a descrição observando esta fotografia abaixo (clique para ver maior):

É longo o trecho entre o Base 4500m e o Campo 1 5600m. Sempre subida, no começo trilha, depois trilha em pedreiro, até que logo antes do Campo 1 ela segue por cima de um campo de blocos de pedra sem um caminho muito definido. Finalmente logo para se chegar ao Campo 1 sobe-se uma encosta um pouco mais inclinada, onde está a primeira corda fixa.
Do Campo 1 para o 2, escalada em rocha serpenteando pela aresta afilada sobre desfiladeiros de tirar o fôlego. O Campo 2 está no topo da Torre Amarela 6000m, fica praticamente pendurado e há lugar para apenas 7 barracas.
Saindo do Campo 2 começa o gelo, e esta o trecho mais difícil, um grotão mais vertical, para ganhar a Aresta dos Cogumelos (Mushroom Ridge). A Aresta leva diretamente ao platô do Campo 3, a 6300m, amplo e de gelo. Este platô do Campo 3 está logo abaixo do glaciar pendurado, o 'Dablam'. Em 2006 um pedaco do Dablam caiu e matou 16 pessoas, e desde entao a maioria das pessoas tem pulado o Campo 3, e ido direto ao cume a partir do Campo 2.
Do Campo 3 ao cume, começa com uma rampa de gelo azul por baixo do Dablam ate seu canto
direito, por onde se contorna. Já sobre o Dablam se faz um zigue zague ate ganhar uma aresta que sobe em diagonal para esquerda, normalmente ate o cume. Nesta temporada, a Monção atrasada e anormal trouxe muita neve e criou em torno do cume o que chamaram no campo base de crown (coroa), assim a rota este ano teve que desviar pela direita logo antes do cume para passar o degrau da 'coroa'.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Reflexões

O Nepal, e alguns outros países da Asia, são curiosos. Como ao mesmo tempo ser essa zona, essa sujeira, essa desorganização, a ausência de planejamento, e ao mesmo tempo ser tao fascinante e atraente aos estrangeiros.
E algo dificil de se chegar a uma conclusão, mas estando em Kathmandu, e impossível não se pensar nisso.
Hoje fomos a pe ate Duhbar Square, um local relativamente perto do Thamel, que tem construções históricas e bastante relevância religiosa para eles. Quase chegando lá presenciamos algo bizarro, em um cruzamento de 3 ruas movimentadas, tudo parou, travou. Carros, motos, riquixás, bicicletas, e até pedestre... Tudo travou, entupiu, não ia nem pra frente nem pra trás. Na volta, no mesmo cruzamento, eu e o Mute fomos levados no meio da multidão, tipo saída de show em estadio. Uma loucura.
Pensando sobre o tema da atracão do 'ocidental' pela 'doidera' daqui e conversando entre a gente, destacamos duas coisas:
1) O Nepal é um lugar para vir com muita fé...
2) É um tratamento de choque para ansiedade crônica ocidental.
Essa estória de vir com fé não é no sentido da fé religiosa, mas no sentido de realmente no fundo do coração achar que tudo vai dar certo.
Tipo, olhando a bagunça do aeroporto em Lukla, de um ponto de vista racional, as chances da sua bagagem chegar certinho ao destino com você sao mínimas. Mas se você entrega com fé que tudo vai dar certo, sabe-se Deus lá como, mas a bagagem chega. Pode até chegar só no dia seguinte, mas chega... As pessoas sem essa fé ficam muito preocupadas, nervosas e tem grande chance de desenvolver úlcera.
O segundo ponto, do tratamento de choque contra ansiedade cronica ocidental... E que somos condicionados a querer ver as coisas funcionarem, a se poder planejar e tal... E aqui a coisa não é bem assim, e se mantivermos esse modo de pensar, você morre de ansiedade. Aqui nada é certeza, nada e garantido. Tudo sempre pode acontecer. Assim o tratamento é de choque mesmo, ou você relaxa e deixa um pouco as coisas correrem com a sua velocidade própria, ou você terá um piripaque de ansiedade.
Isso, entre milhares de outras coisinhas e coisonas que você vê e vive aqui, seja na montanha ou no meio do caos em Kathmandu, te tiram do seu 'modus operanti' normal. E muitas vezes te faz isso via forceps.... Na marra.
Acho que isso fascina as pessoas. Da pra ver na cara dos turistas aqui. No entanto, entre os turistas há uma 'avidez por consumo' que é um pouco exagerada, e que traz consequências sociais ao povo daqui.
Principalmente aqui em Kathmandu há um 'hype' pelas compras impressionante. Há de tudo para vender, e muita gente disposta a comprar. Lógico, há milhares de coisas interessantes, de pedras preciosas, a colares, roupas, gorrinho, livro, equipo de montanha... E quando se converte os precos para Euro então, aiaiai, que pechincha. Muitas vêzes estar aqui no Thamel incomoda um pouco pois parece que it's all just about the money.
Por outro lado, uma coisa muito interessante é que o povo nepali gosta de falar, de conversar, de saber como e sua família, quantos irmãos você tem, negociam e falam muito o tempo todo. Aqui a maioria das coisas acontece na escala humana e individual. Coisa que 'nos ocidentais' ja perdemos um pouco na impessoalidade da nossa correria, dos nossos emails, telefonemas, carros e etc.
Difícil não estar pensando em muitas coisas estando aqui com o corpo e o coração... Pois tem muita gente que vem aqui e 'vive em uma bolha', e tira fotos de tudo com a mesma curiosidade de quem vai ao zoológico, e ao mesmo tempo não esta enxergando nada.
Ainda penso um bocado sobre a montanha, sobre as questões que o Bonga colocou bem no seu último post. Estamos com um material muito interessante em fotos e vídeo... E estou com a impressão que o caminho será montar um filme discutindo essa temática se 'só o cume interessa', ou interessa o como e o porquê? Acho que o filme será a melhor forma de apresentar o que vivenciamos e o que pensamos sobre o tema...
Buenas olas 

De volta ao Bi Bi de Kathmandu

Oi Turma.
Estamos de volta a Kathmandu.
Nosso caminho desde o Campo Base do Ama Dablam foi muito legal.
Saimos do base dia 08 para voar de Lukla para KTM dia 10.
Assim, no primeiro dia pernamos do Base ate Pangboche e dai pela trilha principal do Khumbu ate Namche. Esse trecho do caminho eu ainda nao conhecia, pois fomos pelo Renjo La e Cho La e saimos la para frente em Lobuche. Esse trecho e lindo, bati muitas fotos, o Bonga tambem. Mute e jacob dispararam la na frente, chegaram tipo 30min antes que eu e o Bonga.
Em Namche ficamos no Namaste Lodge, familiar e do nosso amigo Padling Sherpa, que deu varios toques quando passamos por Namche na ida. Primeira noite que dormimos em cama depois de um tempao... O dia de caminhada foi longo, mas no dia seguinte teve mais, e fomos de Namche a Lukla direto, mais uma pernada longa.
Lukla e um lugar estranho. Ja e visivel o problema de alcolismo so de andar na rua, e e bem suja se comparada com as outras vilas mais acima no vale do Khumbu.
Conseguimos voar no dia seguinte cedo. O aeroporto e uma zona, e em alguns estrangeiros isso provoca um pouco de panico, pois e de se duvidar que sua bagagem vai entrar no aviao certo no meio daquela zona.
Rimos muito da zona, da revista antes de entrar no embarque e assistimos o ritmo frenetico que comeca 7am, de pousar e decolar um aviao atras do outro. Jordi e Joaquim, espanhois que estiveram Campo Base com a gente voaram uns 15min antes em um aviao um pouco maior. Nos fomos pela Sita Airlines, empresa menor... E nosso aviao era menor tambem, um bimotor turbohelice asa alta de uns 10 lugares. Malhaaaaaado. Aparencia de jipe do ar.... E bom, eu, Bonga e Mute ficamos como Pitbull no portao de embarque para ir de primeirao dentro do aviao... E rolou, eu e o Bonga sentados atras do piloto e copiloto, e o Mute atras da gente. No lugar dele a janelinha era uma 'bolha' pra fora do aviao, assim dava para colocar 'a cabeca para fora do aviao' e olhar pra baixo, pra frente, pra tras! O Mute foi ao delirio, cara de crianca... E os dois fizeram altas filmagens durante o voo. Eu ja preferi me concentrar e voar de copiloto acompanhando todo o voo (como crianca tambem!).
Pousamos em Kathmandu, e rolou uma coisa engracada, os espanhois que decolaram uns 15min antes mas pousaram depois da gente uns 10min... Nosso aviao passou o deles no ar, e mole? So nao sei onde...
Agora aqui em Ktm estamos continuando a desmobilizacao da expedicao, e hoje por exemplo conseguimos vender as nossas barricas e o gas que sobrou.
Aqui tambem ficamos sabendo de mais detalhes do acidente de helicoptero que rolou no Ama Dablam. No ultimo post o Bonga comentou de um helicoptero que pousou no base e saiu para um resgate.
Pois esse helicoptero se acidentou durante o resgate, morreu piloto e resgatista, e o helicopero ficou la no Ama Dablam, na sua face Norte.
Buenas olas

domingo, 7 de novembro de 2010

Oi turma!

Nossa expedição está chegando ao fim e todavia não chegamos ao cume do Ama Dablam. Foram muitos dias, de muito boas experiências em todo o caminho percorrido para chegar até aqui, mas fica aquela pergunta: E o cume? Não conseguiram chegar ao tão sonhado cume? Será o cume da montanha o mais importante de tudo?Tenho lá minhas dúvidas, vi coisas nessa montanha que me fizeram pensar no real sentido de uma escalada, será que tudo aquilo que vivemos durante esse processo é menos importante do que o fato de pisar no ponto mais alto?
Particularmente, eu tinha uma proposta muito clara quando desejei escalar Ama Dablam, gostaria de escalar por nossos próprios meios, sem a ajuda dos Sherpas, fizemos tudo direitinho, carregamos nosso equipo, montamos nossos acampamentos, tínhamos cordas estáticas para fixar em trechos entre o campo 1 e o campo 2, chegamos cedo, nos aclimatamos, os Sherpas ainda não haviam fixado as cordas, ou seja, tínhamos uma real possibilidade de escalar. Quando chegamos ao campo 2, Tonto e eu, pois o Mute acabou desistindo logo abaixo da torre amarela e ficou nos esperando, Tonto não se sentia bem e me disse que também não estava em condições de prosseguir em estilo alpino.
Foi aí que conversando com Nacho, o espanhol, surgiu a possibilidade de tentar escalar em alpino, ou seja, sem cordas fixas, mas ele acabou optando por tentar escalar com outros três amigos e eu fiquei a ver às nuvens passar.
A condição da montanha estava perigosa, depois disso, os Sherpas fixaram cordas até 50 metros antes do cume, justo onde havia dúvidas a respeito da placa de gelo que parecia querer despencar. Todas as expedições estavam ansiosas pelas cordas fixas para poderem iniciar a progressão com jumar rumo ao cume, foi aí que surgiu um russo aclimatado no Lhotse que guiou estes últimos 50 metros fixando o fim da linha para o cume. Se estas cordas não tivessem sido fixadas, nenhum cliente teria feito cume, a não ser que alguém se aventurasse a escalar.
É uma questão de escolha, as pessoas vem escalar Ama Dablam sabendo que vão subir pela 'via ferrata de plástico' que sai do campo 1 e vai até o cume, e tem um grande mérito nisso, mesmo jumareando não é fácil chegar lá em cima, e preciso se aclimatar, carregar a si mesmo e as tranqueiras mínimas que são um lastro básico, aguentar o frio e ter muita determinação.
É um pouco estranho, para mim pelo menos, aceitar a idéia de subir com jumar pelas cordas fixas, talvez eu esteja acostumado com as montanhas da Patagônia, sem yaks, Sherpas, cordas fixas...
Além desse esquema, é muito triste ver a condição do caminho para o cume, todo tipo de lixo, desde roupas, pilhas, cartuchos de gás, barracas, embalagens, cordas velhas abandonadas todas as temporadas, além da dificuldade de se conseguir neve limpa para derreter e fazer água no campo 2, por exemplo. Fora isso, a disputa por espaço para se colocar uma barraca nos campos superiores é algo interessante também, tem fila de barraca desmontada esperando uma vaga, assim que alguém resolva desmontar alguma. Tudo isso acaba tirando o tesão de subir está montanha que de longe é tão fotogênica e desafiadora.
Por estes motivos, tentei com o dinamarquês Jacob e a ajuda do Mute e do Tonto, uma escalada em alpino pela face noroeste, estávamos muito pilhados, mas no meio do processo o tempo virou e tivemos que abortar. Uma pena, ninguém imagina o meu desejo de ver a vista lá de cima, com o Everest ao fundo, o Makalu e tantas outras...
Sei que muitos dos nossos amigos esperavam ver a nossa foto de cume, como muitos dizem, só o cume interessa, mas nem sempre é possível. Me pergunto até que ponto devemos utilizar dos artifícios para se atingir um objetivo, até que ponto deve se deixar de lado a ética para se justificar o feito. Prefiro ficar com a idéia da tentativa frustrada, mas autêntica e cheia de desafios do que simplesmente me pendurar naquelas cordas para poder dizer que subi a montanha.
O caminho escolhido foi este e estou feliz com a escolha, passamos por lugares incríveis, conhecemos pessoas que pensam como a gente e isso nos fazem acreditar que não estamos loucos, que existem outras formas de se encarar um desafio.
Depois de tudo, Jacob tinha ido até o campo 2 só pra dar uma pernada e visualizou uma possível escalada em uma montanha vizinha, pouca coisa, tipo 6000 metros, e quando voltou me propôs uma tentativa de escalar por uma aresta até este cume que nem sabíamos o nome, mas que era uma linha muito bonita, sem tumulto e sem cordas fixas. Fiquei pilhado, de novo, só pelo prazer de poder escalar.
No outro dia estávamos saindo as 5:00h da manha da base da montanha sem nome, subindo pela aresta por puro desfrute, quando chegamos a 5400m, encontramos um glaciar super carregado de neve, estávamos na metade de uma pendente de 45 graus, com neve pelo joelho, quando de repente ocorreu uma fratura da placa sobre a qual estávamos, uns dois metros acima de nossas cabeças, a rachadura percorreu a pendente lateralmente até o fim da pendente.
Nos olhamos com um frio na barriga, perguntei se ele sabia o que aquilo significava, me respondeu que sim, ficamos imóveis, sem saber se íamos pra cima ou para baixo, a placa fraturou mas não deslizou, aquilo deu uma noção real da condição do gelo que estávamos querendo escalar e resolvemos novamente abortar a escalada.Rola uma certa frustração nestes momentos, mas é tão bom sair vivo desses lugares que toda a vida pela frente começa ter um gostinho especial, o cume passa a ser segundo, terceiro plano.
Agora estamos aqui, com milhares de fotos de dias inesquecíveis, com muitas histórias pra contar, novas amizades que com certeza resultarão em novas aventuras em alguns lugares do planeta. Enquanto finalizo este post, vejo um helicóptero pousar pra pegar coisas que um outro helicóptero de resgate deixou aqui na base. Esta manhã, dois escaladores que estavam tentando subir pela face norte ficaram presos no meio da parede e tiveram que ser resgatados.
Assim, segue a vida aqui na base, ninguém este ano conseguiu “escalar” Ama Dablam, mas muitos clientes chegaram ao cume pelas cordas fixas.
Amanhã deixaremos a base, dia 10 chegaremos em Kathmandu e ainda teremos alguns lugares e amigos para visitar, nosso vôo de volta para o Brasil saí no dia 18, eu só chego dia 20, pois tenho uma escala de um dia em Madri...
À todos que acompanharam, desfrutaram, torceram e mandaram boas energias, Nosso muito obrigado, com certeza teremos uma bela sessão de fotos para compartilhar e muuuitas histórias para contar.

Namastê e até daqui a pouco.
Bonga

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

De volta ao Campo Base, última tentativa

05/11 Campo Base 4500m

Oi Turma, aqui é o ToNTo.

Antes de ontem, depois de subir e descer a Pangboche, colocar as fotos no Blog e tal, eu passei o resto do dia pensando se faria uma investida na rota normal. Como já disse em um Post anterior, todos nós aqui vivíamos um dilema em subir por ai ou não, pois a quantidade de gente e principalmente de expedições comerciais, o lixo que há na montanha, todo stress de conseguir lugar para barraca nos acampamentos, pois o espaço é pouco para tanta gente...

Ver pessoas despreparadas sendo levadas pela mão, e os Sherpas assumindo os maiores riscos somente por dinheiro... Ver na maioria dos que estão aqui para escalar que o importante é só a sua foto no cume e que se dane a montanha. Ao pesquisar antes da expedição, sabíamos que haviam cordas fixas, mas não imaginávamos que as cordas estariam por TODA via! De antes do Campo 1 até o cume! Uma verdadeira via ferrata de plástico. Enfim, minha pergunta, meu dilema e se valeria a pena fazer parte de tudo isso.

Depois de pensar muito, decidi que iria tentar sim. Infelizmente sozinho, pois o Mute ainda estava se recuperando do pé e braço e o Bonga tinha outros planos que ele deve escrever aqui qualquer hora.

A estratégia foi arrojada, sair da Base direto para o campo 2, descansar um pouco e na madrugada partir para o Cume direto, pulando o Campo 3. Essa mesma estratégia tinha o Jordi, espanhol amigo nosso. Só que ele saiu um dia antes que eu.

Assim, ontem cedo saí de mochilão daqui do Base 4500m direto para o Campo 2 6000m sozinho, levando toda tralha de escalada. Só não precisei levar a barraca e o fogareiro, já havia uma no Campo 2 que tanto eu quanto Jordi usaríamos, a Nacho Lodge, barraca de outro espanhol que já foi embora e que tem sido usada por diversos 'independentes' pois não tem como concorrer por espaço com as expedições comerciais, que inclusive deixam lá um estoque de barracas desmontadas, e assim que algum lugar vaga, já montam uma deles no lugar.

Enfim, sai aqui do base caminhando tranquilo, ouvindo música, muito consciente do ritmo, dando uma paradinha a cada hora para comer algo e me hidratar. Subi muito bem ao Campo 1 5600m em 4h30, cheguei lá bem inteiro e motivado. Só pedia para ter força e tempo bom no dia seguinte. Comecei então o trecho mais técnico em rocha que há entre o Campo 1 e o 2 onde há cordas fixas o caminho inteiro.

Não cruzei ninguém no caminho, pelo horário, o que foi ótimo também. Já chegando no Campo 2, a subida na Torre Amarela e feita por corda, jumareando. Nessa jumareada de mochilão foi quando percebi que estava muito, muito cansado. Logo cheguei na barraca, depois precisamente de 7h30 de atividade. Já estava lá Jordi que tinha acabado de voltar do Cume. Estava morto não queria fazer água nem comer. Assim, antes de mais nada, sai com uma bolsa e fui pegar neve, tarefa que não é muito simples, pois como a Torre Amarela é bem pequena e as pessoas acabam defecando por todo lado, inclusive onde não devem. Assim, voltei um tanto até as cordas fixas e com a ajuda da corda pegar neve da encosta. Foi a última coisa que eu consegui fazer. Voltei pra barraca e fiquei mau, e Jordi já melhor assumiu o fogareiro para fazer água. Eu entrei em estado de exaustão, ainda consegui comer algo, mas passei uma noite horrível, com muita dor de cabeça, e mesmo com toda minha roupa estava morrendo de frio e não conseguia me esquentar. Obviamente não tive condição de sair às 3 da manha em direção do cume e passei assim toda a noite, praticamente não dormi.

Pela manhã ainda estava mau, e até considerei a possibilidade de passar hoje descansando no 2 para amanhã ir para ao Cume. Mas como Jordi estava descendo e eu ficaria sozinho por lá, e não sabia muito bem o que tinha, achei melhor descer com Jordi e desistir do Cume. Rapamos toda a tralha e já começamos a descer logo que possível para não pegar 'trânsito' no tramo delicado entre o 1 e o 2. Jordi também estava exausto, e agora tínhamos mais peso ainda que na vinda. Das outras vezes que passei entre o 1 e o 2 só clipei a cadeirinha na corda e fui desfrutando a escalada usando só a rocha. Dessa vez, exaustos, voltamos no maior estilo 'batman', usando bastante a corda e rapelando onde dava. Até a metade do caminho não pegamos. 'trânsito', mas da metade pra frente cruzamos muitas pessoas subindo, e aí você vê vários vacilos de segurança e situações perigosas.

Chegando ao Campo 1 ainda desmontamos a barraca do Jordi e pegamos mais alguma carga. Descemos com muito esforço, e por todo caminho vim ainda com dor de cabeça.

Chegamos ao Base 12:30. Comi o que deu no almoço e cai na barraca, dormi 3h diretão. Mute preocupado, sempre vinha conferir meu estado e trazer chá para me hidratar.

Nesse meio tempo também voltaram Bonga e Jacob.

Analisando a coisa agora, acho que passei por uma exaustão que se agravou pelos 6000m de altura e o frio, apesar de eu já estar bem aclimatado. Também acho que não foi só a exaustão pontual dessa pernada do Base aos 6000m do Campo 2, mas também do acumulado em esses mais de 35 dias de montanha e altitude. Fiquei muito chateado, pois eu cheguei lá na boca da botija, com tudo que eu precisava. Hoje o dia teve o clima perfeito, azul, apesar de meio ventoso... Eu estava mega motivado e por toda subida ao 1 me sentia forte... Só me faltou força, energia e saúde. Fiquei meio chateado com isso, e inclusive por não ter conseguido ver isso quando pensei na estratégia. Agora faltam só 2 dias pra sair aqui do Base e iniciar nosso retorno a Lukla e Kathmandu, impossível fazer outra tentativa. Isso tambem me chateia, pois todos esses dias pensando e negociando com meu 'dilema'... Se eu tivesse me decidido mais rapidamente, talvez eu tivesse a chance de fazer mais uma tentativa.

Pero buenas, asi es.

Mesmo sem Cume a trip se aproxima ao fim com um saldo mega positivo...

Buenas olas

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Fotos dos últimos dias

Pessoal, estamos em Pangboche, Tonto e eu, descemos para colocar algumas fotos dos últimos dias...

Campo 1

Amanhecendo o dia...

Demais a cor...

Campo base visto do campo 1

Visual...

Campo 2

Só cabem 07 barracas

Tonto curtindo o visual

Nossa barraca no campo 1

Todos assistindo o russo chegar no cume

Jacob e Bonga no fim do glaciar no segundo intento...

A placa que descolou e o que restou no cume...

Fim de tarde em nossa barraca quando tentamos escalar a face noroeste

Jacob pensando se desistíamos ou se continuávamos mesmo com o tempo ruim

Desistimos, chegamos no base e começou a nevar...

Nevou a noite inteira e amanheceu tudo branco...

Mute e Maximo falando com os Sherpas nos acampamentos superiores

O russo chegando no cume, logo abaixo dois Sherpas

Desfrutando de um bom café no campo base...

Fim de tarde

Mais...



Campo 2 visto do 1

 Do campo1 para o 2

Campo Base visto do Campo 1

Olha o nível das ancoragens das cordas fixas....

Do campo 1 para o 2

Mute escalando em direção ao Campo 2

Trecho final para chegar ao Campo 2

Campo 2 (6000m)

Campo Base visto do Campo 2 (com zoom)

No Campo 2 (6000m)

No Campo 2 (6000m)

A crista para se chegar no campo 2

Voltando do Campo 2 para o 1

já no quintal do campo 1

Nascer do sol do campo 1

Visual chegando ao Campo 2

Uma olhada para o outro lado...

Mais de sei mil...

Os "fundos" da nossa barraca no Campo 1

Descendo de mala e cuia do Campo 1

Boa a mochila da Conquista...

Acampamento (5100m) na base da parede Noroeste

Campo Base depois da Nevasca

um casal de "Cac"
De repente ficou branco...

A imponência dos grandes montes...

Encontramos um laguinho perto do base

Gelado o laguinho...


É isso aí pessoal...